Tag Archive | Wolfhart Pannenberg

Rousseau, Pannenberg e a Natureza Humana

Bonn, CDU-Friedenskongress, Pannenberg

Wolfhart Pannenberg

Por Vitor Grando
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Jean-Jacques Rousseu nos “ensina”, em seu Discurso Sobre a Desigualdade, que os males da humanidade – guerras, assassinatos, misérias e horrores – têm sua origem não na ação perversa de determinados indivíduos, mas têm sua origem a partir do momento em que um homem finca uma estaca na terra e diz “Isto é meu!”, isto é, a origem dos males encontra-se na instituição da propriedade privada. A natureza humana é essencialmente boa vindo a ser pervertida por estruturas sociais externas, no caso de Rousseau, a propriedade privada. Daí a origem do otimismo antropológico de determinadas correntes políticas, em especial do socialismo. Ora, se a razão das guerras, da fome, da miséria, do racismo, da homofobia, do machismo, da intolerância não se encontra na própria essência do ser humano, tais problemas não serão combatidos na repreensão de atos individuais de maldade, mas precipuamente na luta pela derrocada das estruturas sociais consideradas opressoras. Leia Mais…

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A Religião de Karl Marx

Karl_Marx

Por Vitor Grando
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Pode-se considerar Karl Marx, ao lado de Sigmund Freud, Friedrich Nietzsche e Charles Darwin, como um dos alicerces do espírito ateísta de nossos tempos. Para Marx, a crença religiosa era fruto de uma espécie de disfunção cognitiva. Como a consciência humana seria fruto das relações sociais e, para Marx, tais relações encontravam-se pervertidas, o resultado é que a crença religiosa seria fruto dessa perversão e, portanto, uma crença de pouco valor epistêmico. Freud dizia que a crença religiosa seria uma espécie de mecanismo psicológico destinado a satisfazer os anseios mais profundos da humanidade e, portanto, também não teria como objetivo a produção de crença verdadeira. Em Nietzsche, a religião é o desejo de controlar os mais fortes. Darwin, disse Richard Dawkins, tornou possível um ateísmo intelectualmente satisfatório porque – segundo Dawkins – teria eliminado Deus como exigência da explicação da natureza humana. Entretanto, ao contrário desses outros pensadores ateus¹ citados, Marx nunca escreveu um tratado específico contra a religião. Seu espírito antieclesiástico e ateísta era manifesto através de suas obras. Leia Mais…

Quando Tudo é Permitido – Wolhart Pannenberg

Bonn, CDU-Friedenskongress, Pannenberg

Tradução do alemão para o inglês por Markus Bockmuehl.

Para ler outro artigo do Pannenberg traduzido neste blog:
Como Pensar Sobre o Secularismo – Wolfhart Pannenberg

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Tradução: Vitor Grando
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É uma notável singularidade dos nossos dias que o assunto da moralidade e da ética seja tido como uma questão de interesse público, enquanto a questão referente a Deus seja tida como uma questão esotérica de interesse de teólogos e “pessoas que buscam esse tipo de coisa.” Nem sempre foi assim e é muito importante perguntarmos como chegamos à presente situação e o que pode ser feito em relação a isso. Leia Mais…

Como Pensar Sobre o Secularismo – Wolfhart Pannenberg

Bonn, CDU-Friedenskongress, Pannenberg

Wolfhart Pannenberg

Wolfhart Pannenberg foi um dos mais importantes teólogos do século XX. Professor de Teologia Sistemática na Universidade de Munique. Neste artigo ele fala sobre como se deve pensar a questão do secularismo. Ferrenho defensor da aliança entre fé cristã e razão e opositor dos teólogos que desprezam o valor da história para a fé cristã. Ele afirma, entre outras coisas, que o cristão não deve temer a investigação crítica, mas sim incentivá-la, visto que se a fé cristã é verdadeira nenhuma investigação crítica poderá derrubá-la a não ser por visões de mundo que pressupõe princípios necessariamente antagônicos à fé cristã que muitos teólogos adotam.

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Tradução: Vitor Grando
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Fonte: How To Think About Secularism – Wolfhart Pannenberg

O que quer que se queira dizer com secularização, poucos questionariam que neste século a cultura pública se tornou menos religiosa. Isso não é apenas, como alguns sugerem, simplesmente o resultado da separação entre Igreja e Estado que aconteceu primeiramente há aproximadamente dois séculos. Tal separação não acarretou a alienação da cultura de suas raízes religiosas. Na América, por exemplo, o fim da religião estabelecida pelo Estado não significou o fim do caráter predominantemente cristão e protestante da cultura americana. Em outras sociedades ocidentais, a relação entre o Estado e uma outra Igreja cristã continuou a ser efetiva até este século. Ainda assim nessas sociedades, também, nós vemos evidência de secularização, tipicamente bem mais avançada do que nos Estados Unidos. Secularização não é causada pela separação entre Igreja e Estado. As raízes do processo de secularização, que fez com que a cultura pública se alienasse da religião, e especialmente do Cristianismo, estão enraizadas no século dezessete. Leia Mais…