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História das Heresias Cristológicas I-IV

Nestas quatro aulas apresentamos um esboço da historia das heresias cristológicas desde as incipientes heresias que surgem já no Novo Testamento até o Concílio de Calcedônia (451 d.C) passando, evidentemente, pelo Concílio de Niceia (325 d.C.)

Na primeira aula, justificamos a importância do estudo do tema da heresia e, com base no artigo Toward a Sociology of Heresy de George Zito, entendemos o fenômeno da heresia como a manifestação particular de um fenômeno social universal que, portanto, se manifesta nos mais variados tipos de discurso, inclusive o científico, quando a divergência é rechada pelo grupo dominante, o que se evidência na expansão do chamado “politicamente correto”. Portanto, o fenômeno da heresia seria inevitável não sendo viável ignorá-lo em nosso meio.

Em seguida, desfazemos o mito de que a relação heresia e ortodoxia é fundada na opressão de uma classe dominante e demonstramos como a a Igreja, ao definir uma crença como herética, por vezes estava ao lado da verdade, da tolerância e da inclusão.

Na segunda aula, ainda introdutória, desenvolvemos o conceito de heresia em relação ao conceito de ortodoxia. Definimos ortodoxia como o conjunto de crenças essenciais da fé cristã e a heresia, portanto, como a negação de uma dessas crenças. A caracterização de uma pessoa como herege, por sua vez, se dá não somente na sua adesão a uma crença considerada herética, mas somente quando à crença herética soma-se a pertinácia, isto é, a disposição deliberada do coração em opor-se à autoridade da Igreja.

Nisso, temos um paradigma de como lidar com movimentos heréticos distinguindo entre os irmãos fiéis que estão sendo enganados e aqueles líderes que, por deliberação da vontade, são lobos dentro da Igreja.

Por fim, introduzimos alguns termos presentes no estudo da cristologia – homoiousios, homoousios, arianismo, nestorianismo, apolinarismo, docetismo, união hipostática, etc – e chamamos a atenção para a importância da discussão.

Nas terceira e quarta aulas, apresentamos as heresias que antecederam Niceia e Calcedônia, respectivamente: docetismo, modalismo e arianismo, antes de Niceia; e apolinarismo, nestorianismo e monofisismo, até Calcedônia. Por fim, identificamos no Credo de Calcedônia as diferentes heresias condenadas em cada expressão do credo e apresentamos a importância prática de toda essa discussão.

Ordenação Exclusivamente Masculina: Por Que a Igreja é um Modelo da Realidade

Postado originalmente em: The Calvinist International

Traduzido por Vitor Grando.

Um dos perigos inerentes ao “complementarismo” é a percepção de que a ordenação ao ofício eclesiástico é uma questão de lei positiva semiarbitrária e zonas privadas de jurisdição, que a liderança masculina na igreja é uma questão restrita à ordenação ou de uma política eclesiástica específica e somente porque alguns poucos versículos bíblicos o ordenam. Pior ainda, poderia ser simplesmente a prática e tradição de uma tradição particular, uma comunidade de fé ou costume religioso que é respeitado em nome da história. A desigualdade inerente a essa perspectiva sobre ordenação ministerial é mantida, mas de forma um tanto relutante e incoerente. Seguir com essa abordagem pode soar como uma via média satisfazendo todas as exigências necessárias, mas cedo ou tarde será vista como aquilo que é, uma justificação post hoc um tanto estéril de uma prática que já não faz mais sentido. Leia Mais…

Reforma Protestante e a Epistemologia de Plantinga

Apresentação no IFCS/UFRJ por ocasião do evento em comemoração aos 500 anos da Reforma sobre a influência do pensamento reformado na epistemologia contemporânea.

O Argumento Cosmológico Kalam

bang

Amigos, resolvi publicar em Kindle o resultado da minha monografia em Teologia escrita em 2013. É uma apresentação ao Argumento Cosmológico Kalam segundo William L. Craig. Não traz novidade para quem já conhece sua obra. No entanto, dei especial atenção à história da cosmologia do Big Bang ao longo do século XX, o que é o diferencial deste trabalho.

São três os capítulos mais a conclusão:

  1. Prolegômenos à Teologia Natural

Neste capítulo conto um pouco da história do ressurgimento dos temas da teologia clássica na filosofia analítica a partir da segunda metade do século XX. Mas o foco do capítulo é na análise das vigorosas objeções de Karl Barth à Teologia Natural e a reação de Emmil Brunner. Este capítulo resultou num artigo que publiquei na ReveleTeo, a revista de Teologia da PUC-SP e pode ser acessado aqui.

2. Raízes Históricas do Argumento Cosmológico Kalam

Neste capítulo apresentamos as raízes históricas do argumento na escolástica árabe, denominada kalam, especialmente na obra do grande teólogo árabe Al-Ghazali. Para uma resenha de um livro sobre a vida de Al-Ghazali, veja minha resenha de Ghazali: The Revival of Islam na Revista da Associação Brasileira de Filosofia da Religião aqui.

3. A Defesa do Argumento

Agora, entramos na defesa do argumento que consiste basicamente nas suas duas premissas e uma conclusão: 1)  Tudo que veio a existir tem uma causa, 2) O universo veio a existir; 3) Logo, o universo teve uma causa.

Nisso, passamos pela exposição da argumentação filosófica que sustenta o argumento e, então, enfatizamos as evidências para a teoria do Big Bang que ratificam em uníssono: o universo teve um início. A conclusão, se forem verdadeiras as premissas, é que o universo teve uma causa e essa causa é perfeitamente coerente com aquilo que os teístas chamam de “Deus”.

O livro está disponível aqui na Amazon.com.br por ínfimos R$8,90 (ao menos por enquanto) e para adquirir não precisa do dispositivo Kindle. Você pode ler no app do celular ou mesmo no computador.

Divulguem!

História das Controvérsias Cristológicas

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Por Vitor Grando
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vitor.grnd@gmail.com

Índice

  1. INTRODUÇÃO
    Da Natureza da Ortodoxia
    Da Natureza da Heresia
  2. DA NATUREZA DA QUESTÃO CRISTOLÓGICA
  3. HISTÓRIA DAS CONTROVÉRSIAS CRISTOLÓGICAS
    A Caminho de Niceia
    A Caminho de Calcedônia
  4. MAS… E A PRÁTICA?
  5. BIBLIOGRAFIA

1. INTRODUÇÃO

DA NATUREZA DA ORTODOXIA

O estudo na dogmática cristã pressupõe a distinção entre ortodoxia e heterodoxia. Ortodoxia, basicamente, significa “ensinamento correto”, isto é, aquele conjunto de ensinamentos expressos ou implicados pelas Escrituras (norma normans) conforme interpretação da Tradição da Igreja (norma normata), em especial nos Credos definidos nos grandes Concílios Ecumênicos. Ao princípio sola scriptura da Reforma Protestante, não acompanha qualquer sugestão de livre-interpretação das Escrituras, mas traz consigo a importância do livre-exame das Escrituras, dado que elas são na hierarquia das leis a constituição da fé cristã à qual toda norma normata está subordinada. Portanto, o nosso exame das Escrituras precisa estar atento à regra geral para distinguir a verdade da fé ortodoxa da depravação herética estipulada por Vincent de Lérins, que é a atenção àquilo foi crido em todo o lugar, sempre e por todos os cristãos. Isto é, atento aos critérios da (1) catolicidade, (2) antiguidade e (3) consentimento. (CRISP, 2009). No entanto, o que distingue a concepção de tradição do catolicismo romano para o protestantismo é que enquanto aquele vai além do que é clara ou implicitamente revelado nas Escrituras, além de aplicar-se a doutrinas não fundamentais da fé cristã. O protestantismo compreende a tradição como, nas palavras de Irineu de Lyon, regula fidei (regra de fé), isto é, como guia interpretativo daquilo que está contido nas Escrituras. [1]A nossa fé não é uma fé sujeita aos modismos de um determinado século, mas ela perpassa e transcende todos os séculos. Nesse sentido, fica a lição de J.P. Moreland e Garrett DeWeese:

[…]ainda que a história da Igreja não seja infalível, se houver uma concepção ou conjunto delas que tenha sido adotada amplamente por respeitáveis pensadores na história da igreja, deve-se exigir muitas evidências antes de ir a uma direção diferente. […] Tome cuidado com a adesão a concepções de ensino bíblico que pareçam ser revisões politicamente corretas da Bíblia. Um bom teste para tais revisões é quando uma posição em uma área do ensinamento bíblico tenha sido adotada recente e justamente em um período em que houve pressão ideológica da cultura geral para que tal posição fosse aceita de alguma maneira. É mais do que irônico que seja descoberta, pela primeira vez na história da igreja, uma concepção que ‘coincidentemente’ está sendo recomendada pelos críticos da igreja (MORELAND & DeWEESE, 2011, p. 150)
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Resenha de EHRMAN, Bart D. O que Jesus Disse? O que Jesus Não Disse? Quem Mudou a Bíblia e Por Quê. São Paulo: Prestígio, 2006. 245 p

Resenha

EHRMAN, Bart D. O que Jesus Disse? O que Jesus Não Disse? Quem Mudou a Bíblia e Por Quê. São Paulo: Prestígio, 2006. 245 p

Vitor Grando
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ehrman

Na última década, vimos o surgimento de um movimento fortemente antiteísta, que veio a ser denominado por neoateísmo e conhecido pelas suas mordazes críticas a toda religião, em especial ao cristianismo. Christopher Hitchens, Daniel Dennett, Richard Dawkins e Sam Harris são quatro dos principais “evangelistas” do movimento. Na esteira dessa empreitada, surge Bart D. Ehrman. À diferença dos demais, Ehrman é um especialista naquilo que é alvo de seus ataques. Ph.D em teologia pela Universidade de Princeton, ele é um dos principais especialistas em crítica textual do Novo Testamento dos nossos dias. Usando de toda sua bagagem teórica e indiscutível autoridade acadêmica, ele nos tenta mostrar que o Novo Testamento tal como nós o temos hoje não é textualmente confiável, por ter sido vítima, supostamente, de milhares de alterações voluntárias e involuntárias nas mãos dos copistas ao longo dos séculos. Daí o título provocador de seu livro, que insinua logo de cara que, digamos, nem tudo que Jesus disse foi, de fato, dito por ele.

Continue a leitura em: https://revistas.pucsp.br//index.php/reveleteo/article/view/22429/17030

ORMSBY, Eric. Ghazali: The Revival of Islam (Makers of the Muslim World). Oxford: Oneworld Publications, 2007. 158 p.

RESENHA

ERIC ORMSBY GHAZALI: THE REVIVAL OF ISLAM MAKERS OF THE MUSLIM WORLD Oxford: Oneworld Publications, 2007. 158 p.

Vitor Grando
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ghazali

O islamismo é uma das maiores religiões do mundo, com mais de um bilhão e meio de adeptos e, ao mesmo tempo, é a que mais cresce, ao passo que o cristianismo tem suas raízes arrancadas progressivamente da Europa em razão dos fortes ventos do secularismo. Todavia, o islamismo ainda é completamente desconhecido por parte do mundo ocidental, levando-nos a uma grande incompreensão das razões, práticas e crenças de uma fé que, ao menos desde 2001, ocupa diuturnamente as manchetes dos jornais.

Sendo assim, urge, principalmente por parte de teólogos e cientistas da religião, a publicação de obras sobre o pensamento árabe, bem como a tradução dos seus principais expoentes, já que nisso ainda somos completamente incipientes no Brasil. Aquele que é provavelmente o maior dos teólogos árabes – al-Ghazālī – permanece largamente desconhecido no Brasil e sem que muitas de suas importantes obras tenham sido traduzidas. Al-Ghazālī talvez seja mais conhecido no âmbito da filosofia da religião como o desenvolvedor do chamado Argumento Cosmológico Kalam, popularizado por William L. Craig. No entanto, o teólogo árabe merece ter sua obra difundida pelos seus próprios méritos.

Continue a leitura em: http://abfr.org/revista/index.php/rbfr/article/view/27/43

A Onipotência e Seus Paradoxos

Resumo
Neste artigo analisamos a coerência do conceito de onipotência, atributo tradicionalmente atribuído ao Deus das grandes tradições monoteístas. Inicialmente propomos uma descrição adequada do conceito para que, então, possamos analisar alguns paradoxos tradicionais que procuram demonstrar a suposta incoerência do conceito de onipotência. Em nossa análise, fazemos a distinção do (1) conceito de onipotência quando considerado isoladamente do (2) conceito de onipotência quando considerado em conjunto com os demais atributos tradicionais de Deus, porque a resposta aos paradoxos será diferente, a depender de estarmos considerando (1) ou (2).

Palavras-chave: Onipotência. Coerência do teísmo. Filosofia
da religião. Atributos de Deus.

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Rousseau, Pannenberg e a Natureza Humana

Bonn, CDU-Friedenskongress, Pannenberg

Wolfhart Pannenberg

Por Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
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Jean-Jacques Rousseu nos “ensina”, em seu Discurso Sobre a Desigualdade, que os males da humanidade – guerras, assassinatos, misérias e horrores – têm sua origem não na ação perversa de determinados indivíduos, mas têm sua origem a partir do momento em que um homem finca uma estaca na terra e diz “Isto é meu!”, isto é, a origem dos males encontra-se na instituição da propriedade privada. A natureza humana é essencialmente boa vindo a ser pervertida por estruturas sociais externas, no caso de Rousseau, a propriedade privada. Daí a origem do otimismo antropológico de determinadas correntes políticas, em especial do socialismo. Ora, se a razão das guerras, da fome, da miséria, do racismo, da homofobia, do machismo, da intolerância não se encontra na própria essência do ser humano, tais problemas não serão combatidos na repreensão de atos individuais de maldade, mas precipuamente na luta pela derrocada das estruturas sociais consideradas opressoras. Leia Mais…