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Reforma Protestante e a Epistemologia de Plantinga

Apresentação no IFCS/UFRJ por ocasião do evento em comemoração aos 500 anos da Reforma sobre a influência do pensamento reformado na epistemologia contemporânea.

O Dilema do Naturalismo Evolucionário

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Segundo o conhecido argumento de Plantinga, a admissão da conjunção naturalismo e evolucionismo (N&E) resulta num derrotador para a confiabilidade de nossas faculdades cognitivas. Sendo assim, quem admite N&E não teria qualquer razão para crer na verdade das crenças produzidas por seu aparato cognitivo, o que resultaria no mais radical ceticismo.

É claro que o naturalista resistirá a tal conclusão. No entanto, ele não tem como rejeitar a ideia apresentada por Plantinga de que o processo evolutivo acrescido do naturalismo não só poderia produzir faculdades cognitivas produtores de crenças sistemática e obstinadamente falsas como a sua própria posição metafísica impõe que ele aceite isso.

Ora, para o naturalista, Deus não existe. A crença em Deus, porém, é uma crença universalmente disseminada. Todos os povos conhecidos têm suas noções do divino e a psicologia evolutiva da religião tem demonstrado que a crença num Deus e nos seus atributos é profundamente enraizada na constituição do cérebro humano. O que corrobora o conceito proposto por João Calvino do sensus divinitatis. Mas se é falso que Deus existe, então fica demonstrado que o processo evolutivo ao menos nessa ocasião produziu faculdades cognitivas que resultaram numa ilusão cognitiva universal e obstinada, que profundamente afeta a vida e pensamento dos seres humanos.

Se o engano sobre algo tão profundamente internalizado no ser humano se alastrou dessa maneira por qualquer razão evolutiva que seja, com que base, então, poderia o naturalista supor que o engano não é uma das condições da vida humana?

Resta, portanto, a quem adere a N&E as opções de (1) abandonar a crença na teoria da evolução, um dos pilares da ciência moderna ou (2) “apostatar” do naturalismo rumo ao supernaturalismo. Dostoiévsky na sua célebre afirmação pontificou: se Deus não existe, então tudo é permitido. Na epistemologia de Plantinga, pode-se dizer que se Deus não existe, então nada é conhecido. Eis o dilema do naturalismo evolucionário.

O Argumento Cosmológico Kalam

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Amigos, resolvi publicar em Kindle o resultado da minha monografia em Teologia escrita em 2013. É uma apresentação ao Argumento Cosmológico Kalam segundo William L. Craig. Não traz novidade para quem já conhece sua obra. No entanto, dei especial atenção à história da cosmologia do Big Bang ao longo do século XX, o que é o diferencial deste trabalho.

São três os capítulos mais a conclusão:

  1. Prolegômenos à Teologia Natural

Neste capítulo conto um pouco da história do ressurgimento dos temas da teologia clássica na filosofia analítica a partir da segunda metade do século XX. Mas o foco do capítulo é na análise das vigorosas objeções de Karl Barth à Teologia Natural e a reação de Emmil Brunner. Este capítulo resultou num artigo que publiquei na ReveleTeo, a revista de Teologia da PUC-SP e pode ser acessado aqui.

2. Raízes Históricas do Argumento Cosmológico Kalam

Neste capítulo apresentamos as raízes históricas do argumento na escolástica árabe, denominada kalam, especialmente na obra do grande teólogo árabe Al-Ghazali. Para uma resenha de um livro sobre a vida de Al-Ghazali, veja minha resenha de Ghazali: The Revival of Islam na Revista da Associação Brasileira de Filosofia da Religião aqui.

3. A Defesa do Argumento

Agora, entramos na defesa do argumento que consiste basicamente nas suas duas premissas e uma conclusão: 1)  Tudo que veio a existir tem uma causa, 2) O universo veio a existir; 3) Logo, o universo teve uma causa.

Nisso, passamos pela exposição da argumentação filosófica que sustenta o argumento e, então, enfatizamos as evidências para a teoria do Big Bang que ratificam em uníssono: o universo teve um início. A conclusão, se forem verdadeiras as premissas, é que o universo teve uma causa e essa causa é perfeitamente coerente com aquilo que os teístas chamam de “Deus”.

O livro está disponível aqui na Amazon.com.br por ínfimos R$8,90 (ao menos por enquanto) e para adquirir não precisa do dispositivo Kindle. Você pode ler no app do celular ou mesmo no computador.

Divulguem!

História das Controvérsias Cristológicas

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Por Vitor Grando
http://VitorGrando.wordpress.com
vitor.grnd@gmail.com

Índice

  1. INTRODUÇÃO
    Da Natureza da Ortodoxia
    Da Natureza da Heresia
  2. DA NATUREZA DA QUESTÃO CRISTOLÓGICA
  3. HISTÓRIA DAS CONTROVÉRSIAS CRISTOLÓGICAS
    A Caminho de Niceia
    A Caminho de Calcedônia
  4. MAS… E A PRÁTICA?
  5. BIBLIOGRAFIA

1. INTRODUÇÃO

DA NATUREZA DA ORTODOXIA

O estudo na dogmática cristã pressupõe a distinção entre ortodoxia e heterodoxia. Ortodoxia, basicamente, significa “ensinamento correto”, isto é, aquele conjunto de ensinamentos expressos ou implicados pelas Escrituras (norma normans) conforme interpretação da Tradição da Igreja (norma normata), em especial nos Credos definidos nos grandes Concílios Ecumênicos. Ao princípio sola scriptura da Reforma Protestante, não acompanha qualquer sugestão de livre-interpretação das Escrituras, mas traz consigo a importância do livre-exame das Escrituras, dado que elas são na hierarquia das leis a constituição da fé cristã à qual toda norma normata está subordinada. Portanto, o nosso exame das Escrituras precisa estar atento à regra geral para distinguir a verdade da fé ortodoxa da depravação herética estipulada por Vincent de Lérins, que é a atenção àquilo foi crido em todo o lugar, sempre e por todos os cristãos. Isto é, atento aos critérios da (1) catolicidade, (2) antiguidade e (3) consentimento. (CRISP, 2009). No entanto, o que distingue a concepção de tradição do catolicismo romano para o protestantismo é que enquanto aquele vai além do que é clara ou implicitamente revelado nas Escrituras, além de aplicar-se a doutrinas não fundamentais da fé cristã. O protestantismo compreende a tradição como, nas palavras de Irineu de Lyon, regula fidei (regra de fé), isto é, como guia interpretativo daquilo que está contido nas Escrituras. [1]A nossa fé não é uma fé sujeita aos modismos de um determinado século, mas ela perpassa e transcende todos os séculos. Nesse sentido, fica a lição de J.P. Moreland e Garrett DeWeese:

[…]ainda que a história da Igreja não seja infalível, se houver uma concepção ou conjunto delas que tenha sido adotada amplamente por respeitáveis pensadores na história da igreja, deve-se exigir muitas evidências antes de ir a uma direção diferente. […] Tome cuidado com a adesão a concepções de ensino bíblico que pareçam ser revisões politicamente corretas da Bíblia. Um bom teste para tais revisões é quando uma posição em uma área do ensinamento bíblico tenha sido adotada recente e justamente em um período em que houve pressão ideológica da cultura geral para que tal posição fosse aceita de alguma maneira. É mais do que irônico que seja descoberta, pela primeira vez na história da igreja, uma concepção que ‘coincidentemente’ está sendo recomendada pelos críticos da igreja (MORELAND & DeWEESE, 2011, p. 150)
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ORMSBY, Eric. Ghazali: The Revival of Islam (Makers of the Muslim World). Oxford: Oneworld Publications, 2007. 158 p.

RESENHA

ERIC ORMSBY GHAZALI: THE REVIVAL OF ISLAM MAKERS OF THE MUSLIM WORLD Oxford: Oneworld Publications, 2007. 158 p.

Vitor Grando
https://vitorgrando.wordpress.com
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ghazali

O islamismo é uma das maiores religiões do mundo, com mais de um bilhão e meio de adeptos e, ao mesmo tempo, é a que mais cresce, ao passo que o cristianismo tem suas raízes arrancadas progressivamente da Europa em razão dos fortes ventos do secularismo. Todavia, o islamismo ainda é completamente desconhecido por parte do mundo ocidental, levando-nos a uma grande incompreensão das razões, práticas e crenças de uma fé que, ao menos desde 2001, ocupa diuturnamente as manchetes dos jornais.

Sendo assim, urge, principalmente por parte de teólogos e cientistas da religião, a publicação de obras sobre o pensamento árabe, bem como a tradução dos seus principais expoentes, já que nisso ainda somos completamente incipientes no Brasil. Aquele que é provavelmente o maior dos teólogos árabes – al-Ghazālī – permanece largamente desconhecido no Brasil e sem que muitas de suas importantes obras tenham sido traduzidas. Al-Ghazālī talvez seja mais conhecido no âmbito da filosofia da religião como o desenvolvedor do chamado Argumento Cosmológico Kalam, popularizado por William L. Craig. No entanto, o teólogo árabe merece ter sua obra difundida pelos seus próprios méritos.

Continue a leitura em: http://abfr.org/revista/index.php/rbfr/article/view/27/43

Deus, o fiador da razão em Descartes

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Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
vitorgrando.wordpress.com

 

O contexto em que Descartes escreve é um contexto onde se vivia uma revolução nas estruturas fundamentais do conhecimento e de crenças fulcrais da época, em especial na chamada Revolução Copernicana, que alterou profundamente a compreensão na cosmologia que vigia desde Aristóteles. Na concepção do filósofo grego, a terra seria o centro da galáxia e as demais órbitas celestes girariam em torno dela. Copérnico propõe que não a terra, mas sim o sol seria o centro da galáxia em torno do qual os corpos celestes – incluindo a terra – girariam. No entanto, à sua época ele não possuía suficientes evidências para sustentar sua teoria até que Galileu viria corroborá-lo quase um século depois. É nesse contexto de profundas mudanças em crenças tão fundamentais que escreve Descartes. A questão que ele enfrenta, portanto, é como garantir a verdade das nossas crenças dada tão ostensiva presença de equívocos naquilo que eventualmente tomamos por certo. Leia Mais…

A Onipotência e Seus Paradoxos

Resumo
Neste artigo analisamos a coerência do conceito de onipotência, atributo tradicionalmente atribuído ao Deus das grandes tradições monoteístas. Inicialmente propomos uma descrição adequada do conceito para que, então, possamos analisar alguns paradoxos tradicionais que procuram demonstrar a suposta incoerência do conceito de onipotência. Em nossa análise, fazemos a distinção do (1) conceito de onipotência quando considerado isoladamente do (2) conceito de onipotência quando considerado em conjunto com os demais atributos tradicionais de Deus, porque a resposta aos paradoxos será diferente, a depender de estarmos considerando (1) ou (2).

Palavras-chave: Onipotência. Coerência do teísmo. Filosofia
da religião. Atributos de Deus.

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Por que Hume e Kant estavam errados ao rejeitar a Teologia Natural – Richard Swinburne

Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
vitorgrando.wordpress.com

 

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Leia o texto na íntegra em: http://abfr.org/revista/index.php/rbfr/article/view/59/41

Wittgenstein e a Epistemologia Reformada

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Epistemologia da Religião
Interpretação Reformada e Wittgensteiniana: Aproximações e Diferenças

Por Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
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The difficulty is to realize the groundlessness of our believings
L.W.

A religião, seja qual for a forma que tomar, sempre foi um fato presente em quaisquer sociedades que nós tenhamos conhecimento. É por isso que alguém já definiu o ser humano como o homo religiosus, como se a característica essencial do ser humano fosse não outra a não ser uma essência fundamentalmente orientada a práticas religiosas. Aristóteles, como é sabido, define o que distingue o ser humano das outras espécies do gênero animal como a sua racionalidade, que seria, portanto, sua essência. Sendo essencialmente racional e manifestamente religioso, a questão da relação entre fé e razão ou as práticas religiosas e a razão consistem numa questão fundamental para se entender o homem. Todas as grandes tradições monoteístas têm uma visão fundamentalmente positiva da razão, rejeitando o suposto dualismo tipicamente moderno entre as questões de fé e da razão. Leia Mais…

A Religião de Karl Marx

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Por Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
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Pode-se considerar Karl Marx, ao lado de Sigmund Freud, Friedrich Nietzsche e Charles Darwin, como um dos alicerces do espírito ateísta de nossos tempos. Para Marx, a crença religiosa era fruto de uma espécie de disfunção cognitiva. Como a consciência humana seria fruto das relações sociais e, para Marx, tais relações encontravam-se pervertidas, o resultado é que a crença religiosa seria fruto dessa perversão e, portanto, uma crença de pouco valor epistêmico. Freud dizia que a crença religiosa seria uma espécie de mecanismo psicológico destinado a satisfazer os anseios mais profundos da humanidade e, portanto, também não teria como objetivo a produção de crença verdadeira. Em Nietzsche, a religião é o desejo de controlar os mais fortes. Darwin, disse Richard Dawkins, tornou possível um ateísmo intelectualmente satisfatório porque – segundo Dawkins – teria eliminado Deus como exigência da explicação da natureza humana. Entretanto, ao contrário desses outros pensadores ateus¹ citados, Marx nunca escreveu um tratado específico contra a religião. Seu espírito antieclesiástico e ateísta era manifesto através de suas obras. Leia Mais…