O Martírio de Inácio de Antioquia e Policarpo de Esmirna

INACIO

Por Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
VitorGrando.wordpress.com

Nos primeiros três séculos de cristianismo até 311, quando o então imperador Galerius proferiu um edito que permita aos cristãos realizarem seus cultos em paz e lhes conferia proteção legal, o cristianismo vivia em intermitente atrito com o Império Romano, que alternava períodos de intensa perseguição com períodos de relativa trégua. Mas é com a conversão de outro imperador, Constantino, no ano 312, que o cristianismo viria a ser não só admitido como tornado religião oficial do império.

Antes disso, os cristãos não raramente se tornavam comida de leões ou eram queimados vivos devido à recusa de adorar ao César e aos deuses pagãos romanos. O fato de negarem adoração a esses deuses pagãos rendia-lhes, curiosamente, a pecha de “ateus”.

Dois dos mais famosos martírios desse período são o de Inácio de Antioquia e Policarpo de Esmirna, ambos ocorridos em meados do século II. A bravura com que eles encaravam a morte, o desprezo pelos prazeres terrenos o anseio pelo encontro pós-morte com Cristo exemplificam a gritante diferença entre os cristãos de ontem e os de hoje.

Inácio era bispo da Igreja de Antioquia, na Síria, entre 60 e 100 d.C, tendo sido discípulo do próprio Apóstolo João. Ao ser preso pelo Império Romano, foi transportado rumo a Roma para enfrentar o martírio, durante essa viagem Inácio escreveu uma série de cartas a diversas igrejas da época. Dentre elas, a Carta aos Romanos. Ciente da disposição dos cristãos romanos de livrá-lo do martírio, Inácio escreve uma carta inteira exortando-os a não impedir que ele alcance aquilo para o que Deus o havia designado: o martírio.

O maior temor de Inácio no longo trajeto em direção a Roma não eram as feras que lhe devorariam, mas sim o amor dos romanos. Inácio temia que, por amor a ele, os romanos lhe fizessem o mal de livrá-lo de chegar a Deus pelo martírio. Não haveria outra oportunidade para ele alcançar a Deus e não havia oportunidade de boa obra para os romanos além de permitir que ele alcançasse seu objetivo. Inácio sintetiza seu desejo quando afirma: “Como trigo, hei de ser moído nos dentes das feras para ser oferecido como pão puro perante Deus”.

Inácio usa os termos morte e vida no sentido exato oposto ao que costumeiramente usamos. Em clara alusão à famosa afirmação paulina, Inácio suplica aos romanos que não impeçam que ele alcance a vida mantendo-o num estado de morte. Onde vida, para ele, é a oportunidade de estar com Cristo através do martírio e a morte é o presente estado carnal.

Policarpo nos apresenta outro exemplo de bravura cristã. Sentenciado à morte pelo Império Romano, Policarpo aceita fugir dada a insistência de alguns de seus discípulos. No entanto, ao chegar à antiga casa de Policarpo, as autoridades encontram dois jovens, que, mediante tortura, indicam o paradeiro de Policarpo. Ao chegarem ao local, ele decide se entregar sem qualquer resistência a não ser o pedido de se isolar por um momento para orar pela igreja antes de enfrentar o seu destino.

Ao chegar ao estádio onde foi apresentado ao procônsul e à multidão sedenta pelo seu sangue. Foi-lhe dada a oportunidade de renegar a Cristo reconhecendo a soberania de César em troca de sua liberdade. Depois de o procônsul insistir na demanda, Policarpo responde dizendo que “Por 88 tenho servido a Cristo e ele nenhum mal me fez, por que haveria eu de blasfemar contra meu rei e salvador?”.

Ao ser ameaçado pela fogueira, não se intimidou perante o fogo lembrando ao procônsul que sua fogueira arderia por no máximo uma hora e então se extinguiria, no entanto, assim escaparia do fogo eterno que nunca se apaga. Recusou-se a se defender perante a multidão afirmando que essa “turba apaixonada” não seria digna de ouvir sua defesa e contra-atacando acusando-os de ateus. Policarpo enfrentou bravamente a fogueira e assim foi martirizado.

Que o exemplo de bravura de mártires como Inácio e Policarpo possa nos ajudar a enfrentar os desafios e adversidades da vida cristã que enfrentamos em nossos dias!

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2 responses to “O Martírio de Inácio de Antioquia e Policarpo de Esmirna”

  1. tamiressuriel says :

    Muito bom ! Gostei muito! Deus te abençoe !

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