Morticínio no Corão e no Antigo Testamento

Por Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
VitorGrando.wordpress.com

É sabido que o Antigo Testamento nos brinda com passagem que soam aos nossos ouvidos como verdadeiras aberrações. Diante disso, o que torna o Antigo Testamento fundamentalmente diferente da lei Islâmica?

Eu não sou profundo conhecedor da teologia veterotestamentária. Não falo isso por pretensa humildade, é que ecoraou simplesmente nunca parei para estudar mais a fundo o Antigo Testamento.

Anyway, o que eu penso da questão é o seguinte:

1) Por pior que possa ser a realidade veterotestamentária, sua aplicabilidade é afastada pelo paradigma hermenêutico imposto pelo Novo Testamento. As coisas velhas se passaram – incluindo a teocracia israelense. No caso no Corão não existe paradigma hermenêutico segundo o qual possamos aliviar a barra das passagem beligerantes do Corão. Muito pelo contrário, afinal Muhammad – o selo dos profetas cuja vida é perfeita e normativa para o Islã – praticou e deu vazão a tudo aquilo. Assim, o Islã apresenta um problema pra nossas sociedades que não nos é apresentado pelo cristianismo;

2) De fato, há legislações veterotestamentárias que soam aberrações aos nossos ouvidos. Parece-me, porém, que o contexto tem de ser considerado. Num contexto do forte paganismo que circundava Israel, fazia-se mister o rigor da Lei para afastar os judeus da idolatria pagã. Isso se dava principalmente porque a idolatria pagã geralmente vinha associada com barbaridades tais como o sacrifício de crianças. Assim, Israel se afasta da barbaridade de seu contexto e marca um avanço legal ainda que incipiente;

3) Penso também que há uma diferença fundamental nas matanças apresentadas pelo Antigo Testamento. Pegamos o caso paradigmático de Canaã, por exemplo. Primeira coisa a se considerar é o fato de Deus haver dado mais de 400 anos de tolerância para os canaanitas se afastarem de suas práticas tais como a do sacrifício infantil. Portanto, parece que Deus possuía razões moralmente suficientes para ordenar o juízo a Canaã. Ademais, parece haver um tom hiperbólico na injunção divinamente ordenada para atacar os canaanitas, afinal por todo livro de Josué e Juízes aqueles que supostamente deveriam ter sido eliminados incluindo mulheres e crianças ainda estavam presentes na região. Além disso, e isso considero a principal diferença, as injunções veterotestamentárias são direcionadas a INDIVÍDUOS e SITUAÇÕES ESPECÍFICAS; já na Sharia, a obrigação de fazer jihad é ampla e aplicável a cada fiel. Ou seja, no Antigo Testamento é o próprio Senhor da Vida que ordena a pena capital diretamente; já o Islã torna essa prerrogativa discricionária nas mãoes do fiel. Isso, a meu ver, torna o quadro gritantemente diferente.

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  1. Introdução ao Islã (Áudio) | Vitor Grando - fevereiro 17, 2016

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